Fim da perimetral leva competições de triatlo para o Recreio, que terá cinco etapas em 2015

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Triathlon no Recreio dos Bandeirantes
Marcos Mangi e Alexandre Souza Campos no Posto 12: treino pelo menos cinco vezes por semana – Agência O Globo / Fotos de Hudson Pontes

Fonte: http://oglobo.globo.com

Primeira etapa da Rio Triathlon, em março, teve 800 vagas esgotadas com dois meses de antecedência

RIO — Em 1983, uma modalidade nova, praticada no Havaí há alguns anos, começava a dar as caras no Rio. A combinação de ciclismo, corrida e natação ganhou sua primeira competição oficial na cidade em maio daquele ano. O esporte foi ganhando mais adeptos, cresceu, e, 30 anos depois, mudou de casa. A derrubada da Perimetral obrigou as competições a saírem do Aterro do Flamengo. A mudança, que soou inicialmente amarga, parece ter feito bem ao triatlo.

Nos últimos dois anos, tendo o Recreio como anfitrião, os triatletas presenciaram um verdadeiro boom de provas. Em 2015, todas as cinco etapas oficiais serão realizadas no bairro, e as provas aumentaram de três, no ano passado, para dez este ano. A primeira etapa da Rio Triathlon, marcada para o dia 22 de março, ofereceu quase 300 vagas a mais que a última do ano passado e, mesmo assim, teve suas 800 vagas esgotadas a dois meses da competição. A segunda etapa, no dia 3 de maio, já tinha mais de cem inscritos nas primeiras 24 horas.

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— O anúncio (da saída da Zona Sul) causou enorme tristeza. Mas descobrimos a região do Recreio, e a adaptação foi muito positiva. A gente brinca que conseguiu fazer uma boa limonada com os limões — diz Julio Alfaya, presidente da Federação de Triathlon do Estado do Rio (FTERJ).

Sócio da Tri-Fitness, empresa organizadora dos eventos desde 2012, André Gracindo relaciona as características do novo lar dos triatletas:

— O percurso para quem pedala e corre é excelente por ser plano, o que propicia velocidades altas e é ideal para bater recordes. A pista tem poucas curvas, o que traz mais segurança para o ciclismo. E, como o mar é mais revolto nesta região, deixamos duas alternativas para a competição: a Praia da Macumba e a do Recreio.

‘QUALQUER UM PODE FAZER’

O trajeto da Rio Triathlon começa no Posto 12, no Recreio, com a natação, seguida do ciclismo, até o Posto 8, e da corrida, até o Posto 9. As distâncias dependem do tipo de categoria, Sprint, Standard e Endurance.

Um dos pioneiros na modalidade é Alexandre Souza Campos. Morador do Recreio há dez anos, ele participou da primeira competição na capital, em 1983, quando ainda morava na Zona Sul, sem entender muito bem em que estava se metendo.

— Era tão amador que a primeira competição eu fiz por fora; não consegui me inscrever. Eu remava pelo Botafogo, mas gostei tanto daquela dinâmica que nunca mais abandonei o triatlo. Em novembro, lá estava eu competindo novamente, desta vez oficialmente. Não parei mais — lembra o atleta, que competiu profissionalmente até 1989.

Empresário da área farmacêutica, Campos voltou a se dedicar mais ao esporte em 2011, segundo ele, para inspirar os três filhos. Este ano, sua filha do meio, Luana, de 15 anos, participará pela primeira vez de uma competição de triatlo. Ela, o pai e os dois irmãos são treinados pela mãe, Viviane Feder, que tem uma equipe com seu nome. Voltado para crianças e jovens atletas, seu grupo ostenta o troféu do primeiro lugar da última competição de 2014 no Rio.

— O mais bacana no meu trabalho é ver crianças e adolescentes mudando de hábitos, acordando cedo, e interferindo na rotina de toda a família, que passa a investir numa alimentação mais saudável e em mais horas de sono — salienta Viviane.

Buscar qualidade de vida, aliás, foi a frase mais dita por todos os entrevistados do GLOBO-Barra. E os praticantes do triatlo enfatizam que a imagem de superatletas, que superam barreiras sobre-humanas, não corresponde à realidade da maioria dos competidores.

— Gosto de repetir: qualquer um, absolutamente qualquer um, pode fazer triatlo — enfatiza o anestesista Dirk Robinson, que treina há dois anos.

Inglês radicado no Brasil desde 1982, o médico praticava squash quando teve uma lesão no cotovelo e decidiu investir em outra atividade física:

— Eu pedalava e corria, mas não nadava, e queria participar da competição no início de 2013. Aprendi a nadar a um mês da prova. Foi intenso, mas participar traz um sentimento de conquista indescritível. A grande maioria dos competidores não quer subir ao pódio. Quer ter a satisfação de conseguir algo que um dia achou impossível.

Os treinos são um capítulo à parte. A recomendação de preparadores e praticantes é que as pessoas treinem de 30 a 40 minutos por dia durante a semana, e mais intensamente aos sábados e domingos.

Adepto do triatlo há 12 anos, o empresário Marcos Mangi afirma que a qualidade dos torneios e as competições melhoraram nos últimos anos, mas a cidade é carente de espaços, principalmente, para se pedalar com velocidade.

— Antigamente tínhamos o Autódromo, e, até alguns anos atrás, dava para treinar na Avenida das Américas, o que hoje é impossível. Depois, fomos para o condomínio Alphaville, mas, devido às obras, ficou impossível treinar lá, por causa do tráfego de caminhões. Agora a Cidade das Artes foi liberada para nós (de manhã cedo), mas o circuito é de um quilômetro; então, a gente fica dando 50, 60, 70 voltas. Outras pessoas recorrem ao treino indoor, em academias ou em casa. Mas é monótono.

Sócio da equipe OTREINO, com mais de 200 alunos no Rio, Mário Jorge Hilarino gosta de brincar quando as pessoas perguntam sobre o perfil de um praticante de natação, corrida e ciclismo.

— Meu perfil é o cara careca, barrigudo e que tem preguiça às vezes. Tenho até alunos que chegaram aqui com pânico de nadar no mar. A maior restrição é a pessoa não querer mudar seus hábitos — garante.

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